Histórico


HISTÓRICO DO COLETIVO


O Etchire Magüta nasceu com o propósito de fortalecer as tradições culturais e a identidade do povo Magüta, criando um espaço de protagonismo para os jovens, mulheres, anciãos e pessoas LGBTQIA+ dentro da comunidade. Sua história está profundamente enraizada na busca pela preservação da cultura e dos saberes ancestrais, promovendo, ao mesmo tempo, uma conexão vital com as questões contemporâneas que afetam as comunidades indígenas.

A ideia do grupo surgiu por volta de 2016, quando um encontro informal entre alguns membros da aldeia Umariaçu I despertou a necessidade de criar um espaço dedicado aos jovens artistas e músicos locais. A intenção inicial era chamar a atenção dos jovens tradicionais para a importância de preservar suas raízes culturais por meio da música e da p
arte. O evento foi o marco inicial de um movimento que, em pouco tempo, se tornaria um ponto de referência para a educação e o fortalecimento da cultura Magüta.

Gê Ambrozio e Alê dois compositores importante no grupo

Em 2017, a concretização dessa ideia ganhou forma com a colaboração de Itamar Neco, Gê Ambrózio, e Jacemir Marculino, que trabalharam juntos para elaborar músicas na língua Magüta. O objetivo era reintegrar os jovens da aldeia à educação musical e aos saberes tradicionais, um processo essencial para a perpetuação das tradições do povo. Esse movimento culminou na primeira participação do grupo no 6º Festival de Música do Eware, realizado em Belém do Solimões, AM, e na oficialização do nome "Etchire Magüta". O nome foi escolhido pela liderança Waldir Mendes, que teve um papel crucial na formação e direcionamento do grupo ao longo dos anos.

O nome "Etchire Magüta" em Ticuna significa "Semente de Jenipapo do Povo Pescado", uma expressão que carrega o simbolismo profundo da relação do povo Magüta com a natureza e suas práticas ancestrais. A partir de 2021, o grupo passou a se consolidar como um Instituto Etno-Desenvolvimento Etno-Artístico e Etno-Cultural, com o objetivo de abordar os desafios contemporâneos das políticas culturais indígenas e as produções artísticas e musicais do grupo, ao mesmo tempo em que promovia o protagonismo juvenil e os direitos dos povos indígenas.

Dançantes do Coletivo Cultural Etchire Magüta

O grupo realiza experimentos de música e educação indígena, desenvolvendo uma música contemporânea que incorpora a criatividade e os saberes tradicionais. As letras das músicas são inspiradas em rituais, mitos, lendas e histórias, buscando, dessa maneira, contribuir para a educação continuada, saúde e preservação do meio ambiente. Além disso, o grupo também trabalha com outras manifestações culturais, como o grafismo, a pintura e a escultura, despertando nos jovens Magüta a importância da valorização de suas tradições.

Outro ponto essencial na formação do grupo é a contribuição dos anciãos, que desempenham um papel fundamental na manutenção dos saberes tradicionais. Eles socializam seu conhecimento com os jovens, passando adiante as práticas e os valores culturais que têm sido transmitidos de geração em geração. O grupo também se dedica à confecção de instrumentos musicais sagrados, como o Torí, Tchecu, Ba’ma, Coíri, Woweru, Iburi, To’cü, Paichara, Merutchipa, Aru, Tu’tu, Nga’we, Popayapawe, Watcharacu, Cacanatchipa e De’nepawe, que são usados nos rituais de iniciação e em outras práticas culturais.

Avaliação do Projeto do Museu do Indio

Esses instrumentos são produzidos com um profundo respeito à espiritualidade e aos simbolismos da cultura Magüta, refletindo a profundidade do conhecimento indígena. Ao longo dos anos, o grupo desenvolveu várias oficinas, como as de música, confecção de instrumentos, pintura, cerâmica e grafismo, que são fundamentais para a preservação e transmissão dos saberes ancestrais.

O grupo Etchire Magüta tem se apresentado em diversos festivais, destacando-se pelo seu compromisso com a preservação da cultura Magüta e a promoção do protagonismo indígena. Algumas dessas apresentações incluem o VII, VIII e XV Festival de Cultura do Eware (AM), o I Festival Autônomo Intercultural Étnico (Colômbia), o Festival Pedagógico de Música da Cidade Nova e o V Festival de Música da Rádio Nacional do Alto Solimões (Tabatinga). Essas participações ajudaram a divulgar o trabalho do grupo e a reforçar a importância da cultura indígena Magüta.

Em 2022 e 2024 o grupo iniciou um projeto cultural de longo prazo, aprovado na Chamada Pública do Edital Projeto Cultural 2020, Paulo Gustavo e outras iniciativas. Este projeto, em parceria com a FUNAI e o Museu do Índio, visa fortalecer o conhecimento tradicional do povo Magüta e elaborar cânticos tradicionais Magüta. O projeto também envolve diversas oficinas, promovendo a valorização das práticas culturais e artísticas. Com o apoio de instituições como a COIAB Amazônia, o grupo tem expandido suas atividades, envolvendo mais de 20 pessoas diretamente e mais de 60 jovens e adultos, incluindo crianças e pessoas LGBTQIA+, de forma indireta.

O Grupo Etchire Magüta, ao longo de sua trajetória, tem se consolidado como um espaço de resistência cultural e política, promovendo a inclusão, o fortalecimento da 
identidade indígena e a luta por direitos, ao mesmo tempo em que mantém viva a rica tradição do povo Magüta.


Portanto, a fundação do Etchire Magüta, surgiu em 2016 e marcou um importante marco na aldeia Umariaçu I, trazendo uma proposta inovadora de resgate e valorização da cultura indígena Magüta por meio das músicas e das artes tradicionais. O grupo foi idealizado por Itamar Neco, G. Ambrózio e Jacemir Marculino, com o objetivo de integrar os jovens Magüta na modalidade de educação musical, educação ambiental e valorizando os conhecimentos ancestrais. 

Com o apoio da liderança Waldir Mendes, o grupo participou da 6ª edição do Festival de Música do Eware em 2017 na maior aldeia Magüta "Belém do Solimões", adotando oficialmente o nome Etchire Magüta. Essa iniciativa marcou o início de uma jornada de lutas e desafios, mas também de conquistas e reconhecimento.

Oficina de Gestão Organizacional

Ao longo dos anos, o Grupo Etchire Magüta se consolidou como um importante espaço de formação e expressão cultural, participando de diversos festivais e eventos regionais e internacionais, além de desenvolver projetos educativos e artísticos na aldeia. A hoje em 2025 estamos focando para regularização juridicamente como uma instituição que suriu a partir de 2021, Etchire Magüta, representou um marco na história do grupo, fortalecendo sua missão de preservar a natureza e promover a cultura indígena Magüta.

Atualmente, o Grupo Etchire Magüta conta com mais de 80 membros, incluindo jovens, adultos, crianças e pessoas LGBTQIA+, que recebem formação em diversas áreas culturais indígenas, como grafismo, pintura, história e música, e de outros conhecimentos como produção etnoaudiovisual. 

O projeto cultural em andamento, aprovado pelo Museu do Indio, pela Secretaria Municipal da Cultura, pela FUNAI, e agora em 2025 com a parceria da Universidade Internacional de Florida - FIU, é um reflexo do compromisso e da dedicação do grupo em valorizar e preservar a rica tradição Magüta. Por meio de suas atividades artísticas e educativas, o Grupo Etchire Magüta contribui para a promoção do protagonismo juvenil, o fortalecimento da identidade indígena e o resgate das tradições ancestrais, deixando um legado de resistência e orgulho para as futuras gerações.